quinta-feira, agosto 25, 2005

Terra Nossa

Viseu é, por esta altura, uma cidade com uma dinâmica fantástica.
As suas ruas e praças dimensionam-se, como por encanto, em lugares de festivo encontro.
Gente que regressa sem nunca ter partido, porque as saudades são laços que ligam à terra-mãe, qual cordão umbilical que alimenta o coração sem nunca deixar morrer a alma.
Gente que parte, mas que deixa inscrita em registos memoriais a admiração por uma terra sedutoramente linda, antiga de história e invadida de futuro.
A terra do bem-me-quer, o espaço da nossa vida.
Está criada a Marca Viseu.

Questões de orígem

Ficamos a saber pela revista Focus, de 24 de Agosto, que o Dr. Carrilho se arrependeu de ser de Viseu.
A vaidade precisa de cenário a condizer.
A este homem já só falta dizer que é Jacques Lang e nasceu em França.

terça-feira, agosto 23, 2005

Obrigadinho.

" O Dr. Miguel Ginestal transformou Viseu numa grande Universidade de Verão...".
Assim escreve o inenarrável Dr. Junqueiro na contracapa do dito boletim de campanha.
Afinal já temos Universidade. É só de Verão. O que podemos desejar mais?
Já estou a ver a habilidade do homem: quando as outras encerram, abre a de Viseu. Está resolvido o problema dos professores... Se houver dificuldade, vão-se arranjar outros à porta das ditas fronteiras.
Já agora, Dr.: os alunos podem usar calção, t. shirt e havaianas?
O Dr. Gago está a par desta sua criação?
Não pergunto mais, para não o incomodar.
Mas deixe que lhe diga: o senhor doutor tem mesmo jeito para isto!
Muito obrigado pelo seu diligente trabalho, cuja qualidade teimam em não reconhecer: a navegabilidade dos rios e dos charcos, o ancoradouro, o caminho para Lisboa, a volta tormentosa ao quarteirão. E outras difíceis diligências...

domingo, agosto 21, 2005

Se ele o diz...

O "pai" do PS declarou o fim do estado de graça do Governo rosa.
É oficial, vem nos jornais.
Cheira a esturro!

Autárquicas II

O Dr. Fernando Ruas apresentou o seu slogan de campanha. Um slogan que é uma identificação.
Respondo pelo que faço é uma frase personalizada pelo próprio punho do candidato, é a afirmação de que não quer uma fuga para a frente na avaliação dos resultados, é a certeza de que esta não se faz apenas em eleições, é a assunção plena das responsabilidades, é a convicção de que a política se faz com verdade, transparência e ética.
Convoco aqui um termo que começa a ser muito utilizado. Accountability, expressão que a política importou da economia, reenvia para a obrigação da "prestação de contas".
Esta é uma ideia pouco cara a algumas pessoas, nada habituadas, na diversas áreas de actividade, ao planeamento, à definição de objectivos e ao acompanhamento atento dos projectos.
Respondo pelo que faço é não ter medo de submeter a obra à avaliação dos seus munícipes.
É também por isto que os viseenses apreciam o seu Presidente.

sábado, agosto 20, 2005

Autárquicas I

A candidatura socialista à Câmara e Assembleia Municipal de Viseu distribuiu o primeiro número de um boletim informativo. Sinal de que a profusão e variedade de outdoors era só a primeira parte e que há muito dinheiro ali para os lados da 5 de Outubro.
Os socialistas são assim. As cigarras do depois logo se verá.
É um fartar vilanagem...

A dupla

Aí está a famosa dupla Junqueirão e Junqueirinho para ajudar a esquecer os desastres que vão atormentando a nossa vida: a coreografia trágica dos fogos e a mal humorada e intempestiva "governação" socialista.
Estes endiabrados defesas (dos seus interesses), que actuam há várias épocas numa equipa da capital, estão agora disponíveis para realizar um jogo, em Viseu.
A preparação física já começou no parque de merendas.

O País do fado

O País continua a arder. Em prime time as televisões mostram-nos os horrores de uma tragédia portuguesa. Todos os anos, como se fosse uma inevitabilidade.
O fado de um povo que se consome em labaredas que nos destroem a alma. Choramos o que perdemos e o que não somos capazes de ser. Continuamos a arder, apesar de o governo nos ter dito que estava descoberto o verdadeiro plano de intervenção e combate.
O mesmo governo que se desfaz em subtilezas para afirmar que existe e para tentar justificar por que não estava. Apesar de "mais de dois telefonemas"...
Como é possível tanta descoordenação, tanta asneira, tanta inépcia, tão grande demissão?
Tudo se acumula numa situação de desleixo, lixo, mato, mentalidade, leviandade, uma mistura explosiva a que mãos criminosas chegam o isqueiro ou a tocha.
Um país em autoflagelação. Um reacendimento do destino. O nosso fado triste.

sábado, julho 30, 2005

Urgente

Sete em cada dez crianças do primeiro ciclo do Ensino Básico não têm acesso a refeições escolares. Segundo dados do ME, constantes do documento "Política Educativa e Organização do Ano Lectivo 2005/2006", apenas 30 por cento das crianças que frequentam o 1º Ciclo beneficiam de refeições escolares, em clara desigualdade com os alunos do 2º e 3º Ciclos e Ensino Secundário.
O que o documento não refere é que, a acreditar nas estatísticas, esses trinta por cento de alunos beneficiam das refeições, graças aos investimentos que as Autarquias têm feito na educação, sem que o Ministério tenha transferido um cêntimo.
É público que esta medida faz parte de um conjunto que é urgente negociar entre o poder local e o poder central, num processo claro e eficaz de transferência de competências e meios, porque, até agora, há muitas dúvidas sobre o que compete a quem. Tudo se exige às Autarquias, até porque estão mais próximas.
A qualidade da educação no 1º Ciclo não pode continuar a ser adiada, sob pena de hipotecarmos definitivamente os níveis de qualificação e competências exigidos num espaço europeu alargado, de grande mobilidade e cada vez mais competitivo.
Por isso, a educação não pode ser apenas um pretexto para reivindicações. É uma responsabilidade social que deve ser assumida e partilhada por todos.
Já não há lugar nem tempo para treinadores de bancada.

Leituras I

Um bom livro chega sempre a tempo.
O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott Peck, é lugar de refúgio onde se encontram apoios para a jornada solitária até aos picos onde só se pode ir sozinho.
Uma benção. Uma dádiva. Um acto de Amor.
Colho das suas páginas a melodia suave e a voz penetrante dos versos de John Denver - Love is Everywhere:
O amor está em toda a parte, eu vejo-o.
És tudo o que podes ser, vai e sê-o.
A vida é perfeita, eu acredito.
Vem jogar o jogo comigo.

Ave Azul

Está ao alcance de um gesto o número de Verão de Ave Azul, a revista de arte e crítica de Viseu. Aprofunda o tema principal "O Cânone Literário Português" com excelentes contributos de Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Américo António Lindeza Diogo, António Manuel Ferreira, Ernesto Rodrigues, entre outros.
O muito que há para ler e reler traz-nos José Régio, Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, Gil Vicente e um estudo sobre "D. Miguel da Silva, cardeal e bispo de Viseu", de Mário Casa Nova Martins. Oportunidade para conhecermos melhor uma das grandes figuras do Humanismo, "um dos homens mais notáveis do seu tempo", cuja memória deve ser avivada, em Viseu e não só.
Este número de Ave Azul é acompanhada de Cadernos de Poesia que nos oferece, para começar, "Canto desabitado", de António Gil. Um professor, um poeta, um homem de Viseu.
Parabéns Martim de Gouveia e Sousa. A tua persistência merece ser divulgada e apoiada, porque é um compromisso que, teimosamente, manténs com a tua Cidade.
Com a devida vénia, permito-me transcrever o Prólogo:

Às vezes uma palavra fica presa no marfim dos dentes
às vezes o sal do tempo esconde a verdadeira figura
às vezes o peso da cultura procura o esquecimento
às vezes a culpa cai a pique sobre o teu corpo

que fazes leitor exausto ávido da diferença invisível?
lês comparas escolhes obliteras seleccionas mostras-te

do fundo do exercício gáudio por cima do cérebro és
habilmente conduzes a lei e as obrigações e as ilusões
com todos repartindo o centro e as boas margens...

e então adormeces do fastio do texto que já não é
sem desejo ou libido sciendi

chega o dia fora da cidade e dos muros apalimpséstico
limpo e puro de velhas inscrições dominantes e cegas
esfoliante momento de desordem no velho imperium

e então in fabula acordas leitor lendo outro mundo
sobrevivendo à fractura e à proscrição da museologia.

terça-feira, julho 26, 2005

Hossana II

Gentes e agentes do terror: apacificai-vos. Vai começar o diálogo.

Eles andam por aí!

Aparecem de quatro em quatro anos.
Trazem os pulmões a espirrar iodo das praias da capital. É a vida, como dizia o outro.
Trazem lupa amestrada, não vá escapar nada...
Vêm para, destrutivamente, deixar uns bitaites, à porta das novas fronteiras, sobre uma terra que mal conhecem.
Falar não paga IVA a 21% e o bom senso também tem déficit.
Temos de os aturar?

Hossana I

Nunca deixou de ser monarca. Enquanto dura o interregno, a corte tratou de encomendar uns tronos: fundação, jornais, televisões, revistas. Sempre ouvido, a propósito e a despropósito; bajulado pelo que disse e pelo que queria dizer (até as entrelinhas são objecto de grandes lucubrações).
O País não vai a lado nenhum sem ele. Sente-se divino, superior, predestinado. Não acredita em Deus, só no seu espelho.
Candidata-se à Presidência da República, não por Portugal, mas pelos interesses imediatos do seu partido de sempre. A corte levantou-se, frenética, em hossanas ao rei, louvando-lhe a disponibilidade para o enorme sacrifício. O arauto de Contenças prepara-se para gritar que deixámos de ser calimeros.
Alteza, não faça isso por nós... Não queira aproximar-se dos números de uma dinastia de que ficámos fartos.

segunda-feira, julho 25, 2005

Cidade-Poema

Muito se tem dito sobre Viseu. Palavras escritas que o som do tempo vai murmurando; verbo esculpido no granito que o coração afeiçoa; olhares que descansam no verde perfumado das tílias-catedrais.
Partilho as impressões gostosas que um soneto de Maria Natália Miranda nos deixa na alma.

Meu poema de sonho e sedução
feito de carne e sol feito de aragem
da terra de Viseu conservo a imagem
dum corpo fresco perfumado a pão

Nas sombras indecisas da folhagem
desfeitas em aromas pelo chão
há lábios em murmúrio há ilusão
de vidas a chegar de outras paragens

Grão Vasco Barros Viriato o Infante
surgem cintilam passam num instante
das retinas fiéis para a lembrança

Gente que chega e nunca foi embora
que se fundiu nos músculos da aurora
e como exemplo se transcende e avança.